Extrativistas de unidade de conservação Aquariquara, em Vale do Anari, denunciam ação da Sedam

por Ronaldo Afonso do Amaral publicado 04/09/2019 19h07, última modificação 04/09/2019 19h07
Famílias que residem há anos na região estariam sofrendo perseguições e sendo expulsas de suas casas


Trabalhadores rurais da unidade de conservação reserva Extrativista Aquariquara, em Vale do Anari, compareceram à Assembleia Legislativa, na tarde desta quarta-feira (04), para denunciar ações desencadeadas pela Polícia Ambiental e pela Secretaria de Desenvolvimento Ambiental (Sedam), na região. Eles foram ouvidos, numa audiência de instrução, no plenarinho 02, pelos deputados Anderson Pereira (Pros), Cirone Deiró (Podemos) e Chiquinho da Emater (PSB). 

Segundo os moradores, haviam invasores na área, mas a ação da Sedam tem desagradado os moradores tradicionais da região. "Fui multado e autuado em R$ 3 mil, por ter um porco no chiqueiro. Temos seringueiros legalizados que tiveram suas propriedades afetadas e até casas queimadas", denunciou João Carlos Nunes, que falou em nome dos moradores. 

Segundo João Carlos, a área da unidade de conservação, com cerca de 18.100 hectares, criada em 1998, abrigava 53 famílias, mas hoje residem 28. No local, é permitida a extração de seringa, copaíba, castanha e outros produtos. 

"Cada família pode cultivar numa área de até cinco hectares e criar animais de pequenos porte. Mas, isso não está sendo respeitado e todos estão sendo tratados como invasores, mesmo os que residem há anos lá dentro. A gente não quer briga, a gente quer paz e que a Sedam nos deixe viver em paz, como sempre foi. Porque maltratam a gente? A gente quem cuida da área de reserva e nos tratam como bandidos? É injusto demais isso", observou. 

Indagado pelo deputado Chiquinho se existem invasores na área da reserva, João Carlos respondeu que "não são invasores, são famílias extrativistas, que a Sedam não as reconhece. A gente precisa da intervenção da Assembleia, para que a Sedam cumpra a lei, respeitando quem vive da agricultura familiar na reserva extrativista", observou. 

Ele defendeu que haja um acordo com a Sedam, para que as famílias permaneçam na unidade de conservação e que os recursos gerados com o plano de manejo, possam vir direto para a associação dos produtores. 

Chiquinho da Emater sugeriu que os produtores sejam ouvidos na Comissão de Meio Ambiente da Casa, com o convite, inclusive de membros da Sedam, para esclarecer a questão que envolve esses trabalhadores.

Texto: Eranildo Costa Luna-Decom-ALE/RO 

Fotos: José Hilde-Decom-ALE/RO


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